sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Papel higiênico carinho

Duas pessoas na sala assistindo tv, entra uma terceira com um pacote de supermercado.

Pessoa 1
Vocês não acreditam o que eu comprei hoje...

Pessoas 2 e 3 (interessadas)
O que? O que?

Pessoa 1
O novo papel higiênico carinho!

Pessoa 3
Nossa, não é aquele que passa no comercial?

Pessoa 1
Esse mesmo!
(abrem o pacote de papel)

Pessoa 3
Hummmmm, que cheiro bom!

Pessoa 1
É, tem perfume de lavandas do campo, mas também tinha de pinheiros e de morangos silvestres.

Pessoas 2 e 3
Uau!
(Pessoa 2 pega o papel)

Pessoa 2
Nossa, que macio!
(Pessoa 3 pega da mão dele e abre o papel)

Pessoa 3
E tem folha tripla!
(Pessoa 2 e 3 pensam ao mesmo tempo, se olham com malícia)

Pessoa 2
Nossa, vou correndo cagar agora! (pega um rolo e sai)

Pessoa 3
Não, não, eu primeiro! (pega outro rolo e sai, pessoa 1 sorri com cara de mãe satisfeita)

(blackout, letras brancas: Não discuta papel higiênico. Cague.)




Escrito por Francisco.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

REVELADO: Propaganda da bala ultimate Ice

Antes do fiasco com as fraldas Jeff, a empresa yourself propaganda trabalhou com algumas marcas famosas, mas sempre em sigilo. No papel, as empresas a contratavam e depois recusavam a idéia proposta alegando-a ou imoral, ou ofensiva, ou anárquica, ou os três. Logo após a nota da rescisão contratual, um segundo contrato era firmado por debaixo do pano, dizendo, basicamente, “toca o bonde e coloca na internet. Não te processaremos.”

Para todos os efeitos, depois, a marca se mostrava ultrajada e prometia “tomar as medidas legais cabíveis”. O vídeo, graças à criatividade sádica do idealizador de grande parte das propagandas, se tornava viral na rede. Abaixo, uma das “recusas” criadas pela yourself:


Ultimate Ice (esboço):

* Três comerciais de trinta segundos. Três situações onde duas pessoas acabam de comer: lanchonete de faculdade, jantar em família e primeiro jantar romântico de homem e mulher. Jantar em restaurante romântico:

* O homem se desculpa com a mulher e vai ao banheiro. Se olha no espelho, nervoso por querer agradar. Ao sair, olha para sua mesa ao longe e pergunta discretamente ao maitre se ele tem alguma coisa para o hálito. Este tira do bolso as balas “Ultimate Ice – extra forte”. O homem analisa a bala e pergunta:

“– Ei, você não tem nada mais forte aí?”

* Foco na porta do restaurante, um homem entra com contra-luz ao fundo, só de cuecas. É um homem forte, feito de gelo, da cor da bala. Vai diretamente até o maitre e o homem. Encara o homem e acerta-lhe um chute com o calcanhar em sua boca. O homem é jogado para fora de quadro. A caixa de balas voa pra cima.

* Cena congela. Um letreiro aparece na tela. Voz de homem lê:


“Balas ultimate Ice:
mais que isso, só um
chute na boca de refrescância.”


(blackout. Fim de cena)


Todos os órgãos especializados , e mesmo alguns programas familiares desses matutinos falaram mal da propaganda veiculada na internet...

E por nove meses as balas ultimate Ice foram líderes de vendas. E a quarta entre as marcas mais lembradas pelo público brasileiro. Dentre todas.




Escrito por Francisco.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Desmistifique antes de abrir

tenho defeitos irritantes,
manias muito infantis,
insuficiências além do prazo.
Pobrezas.

Isso que você vê
é a soma
dos “happy endings” anos oitenta,

uma fé que só pode
ser defeito genético;
recalque ao quadrado,
e um fogo no cu
que torna tudo isso interessante
(pra quem vê de fora).

Não sou alegre
nem atleta,
muito menos
poeta.

Sou
depressivo
carente
cronista.
No máximo,
pateta.

E se isso tudo
não te fez desistir,
pense de novo:
não tenho carro e
moro com mamãe.

Sendo assim,
adube seu sentimento
com isso.
Pense bem,
dê o fora.




Danilo.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Aiai....

Eu queria que as minhas palavras não fossem só palavras. Fossem carinhos, fossem verões, fossem aquela nota que falta na sua música. Queria que as palavras fossem meus olhos, meus braços, meu oi. E então o "eu te amo" comportaria tudo, todas as milhões de células que não dizem o que querem cada vez que pego esse celular.




Danilo.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

O rei continua nu.

Recentemente
ao me ver
de coturno
meu sobrinho pergunta
onde vou com a botina
do lixeiro.

Estilo.




Escrito por Francisco.

domingo, 18 de dezembro de 2011

O que (pra mim) são os textos

Já escrevi bastante coisa... Sem medo fui afundando nesse montão de palavras, sujeitando-me à uma única amante. As palavras não me afogam: nelas eu tenho guelras. Enxergo longe a outra margem, e de lá pesco os sabores do mundo, que vêm para esse lado do rio carregadinhos de palavras, palavras essas que ganham o gosto do pescado.

Limpo o que obtive dessa outra margem nas páginas do caderno, só depois me alimento. Os textos daqui são um convite: coma! Sinta, você também, alegre ou triste. Pois o escrito aqui é só a água que o mundo deixa ao entrar em meu coração.



Escrito por Danilo.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Um dia na cidade grande

Tinha ido tudo bem...
Tudo bem.
A cidade deslumbrante
ficava p’outro dia.

O vestibular,
segunda fase,
feito.

O pavor
do perigo
da metrópole,
mãe,
passou batido.

Tudo feito
num só dia:
madrugada viajar/
tarde vestibular/
- rodoviária -
noite esperar/
madrugada voltar.

Agora
A menina
descansa.

Ainda o
salto alto,
altíssimo
do figurino
usado
no teste:
artes cênicas.

Rodoviária.
Ela pensa que
do táxi,
a cidade
não pareceu
ameaçar.

...
Um refrigerante, talvez.
Um café... Pão de queijo...
Pra livrar da sonolência.

Cansaço.



juntar as energias,
segundo andar
as lojas.
Rastejar,
Escada rolante

...

–Moça, seu salto caiu.
e, da frase
caiu o sapato
e pra ela virou:
–Moça, assalto.

Desperta de repente:
bem
agora
no
fim
da viagem?

Atrás de si
de novo, a voz:
–Assalto.
Monotônica,
sem emoção.
“provavelmente
experiente”.
Tudo,
num lance
de escada
rolante.

Em choque,
se deixa levar,
ao patamar.
Não sente o toque
do meliante, pois
não há.

Lá em cima,
fica parada.
O homem passa
por ela
e aponta seus pés.
Ela não entende
até começar a andar,
surpresa...

Mancando.





Escrito por Francisco.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Chamado.

Viu....

Quem é você que passa tanto tempo aqui? Por favor, fale algo... Mesmo que seja só pra mim. Sussurre, pois já estou cansado de monologar esses ecos.


Em todo caso, olá. Logo volto com crônicas mesmo.


Francisco.

Pensamentos pela metade.

As coisas não vêm como devem. Peço desculpas.


































Danilo.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Um dia...

Um dia adoeço
de tanto entardecer
sem noite.



Danilo.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Setenta vezes

Seus defeitos
eu segurei.
Calei.

Suas imprecações
inúteis
contra mim
suportei.

Os desvios
de olhar,
o tédio
na face
das experiências
(minhas)
que contei...
Sua súplica
de atenção
que à minha
suplantava
sempre...
Minha falta de caráter,
de coragem,
de atitude,
de egoísmo,
tudo isso
todo dia
no seu rosto,
sorrindo,
com desprezo,
eu vi.
Só uma coisa
pedi,

e isso bastava.
"Semper fi"
lembra?
"Fiel pra sempre".

Pra quê jogar
no vento
meus problemas
meus defeitos?
Eu estava lá,
eu podia ouvir.
Certamente não riria
como outro poderia.

Mas não havia
razão de ser.
Não havia.
Eu poderia
ter ouvido.
Eu não teria ido.
Não teria ido.

Mas agora vou
sem mágoa
mas sem medo.
Dei tudo que
pude
A face, setenta vezes
pro tapa.

Agora vou, e levo
meu castelo de cartas,
que aqui, passou a ventar demais.




Escrito por Francisco.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Porque um idiota em inglês....

In your eyes,
my day shine in
gratitude of love.

You, from all
living beings
make me try,
make me
a hell of a guy

who wants to find
a hole in your shell
and be your shield
your cure

carrying the world
on my shoulders
while it shouts in joy,
in a pretty show
of rock and horror.

Spinning worries
and leaving memories behind
I will free you,
my little world,
shoutin', shining my day.
Making me pay the price
for the arrogance,
of being in love
with the hottest planet
in the vast universe.



Wrote by Francisco.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Ditados reditos

Água mole em pedra dura tanto bate até que a pedra se cansa, processa a água e pede uma medida restritiva contra essa, que agora não pode chegar à quinhentos metros da pedra.

Ou água mole em pedra dura, tanto bate até que se cansa e vai procurar outra pedra pra furar.

Ou, é claro, ambos.




Escrito por Danilo.

Certos sons não tem nome...




... Nem explicação. Só na visão se ouve.



Fotografado por Danilo.
(editado por Francisco. Puta rima ruim, mermão)

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Na província

Hoje uma cena que escrevi vai pro palco. "Natimorto" vai ser encenado por mim e Bianca. É às oito e meia, no teatro municipal da província. Cinco reais.



Escrito por Francisco.